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Você sabe como deixar para trás os "Quilos Emocionais" acumulados ao longo da vida?

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Recentemente eu fui apresentada a esta expressão "quilos emocionais" e desde então ela segue comigo sempre quando estou diante de um paciente ou um cliente que divide suas angústias e desafios na dificuldade de reduzir o ponteiro da balança.

Em seu livro "I tell my patients: 101 Myths, Metaphors, Fables & Tall Tales for Eating Disorders Recovery. Carlsbad, CA. Gurze Books, 2016" (Eu conto para os meus pacientes 101 mitos, metáforas, fábulas e etc sobre tratamentos de distúrbios alimentares), o Dr Arnold Anderson psiquiatra e psicoterapeuta, cita fábulas e histórias que utiliza durante suas sessões de atendimento com pessoas com algum tipo de transtorno ou problema em relação à alimentação. Uma delas, bem apropriada para quem enfrenta problemas de compulsão alimentar e/ou bulimia nervosa, uma doença onde o indivíduo tem uma distorção da imagem corporal se vendo muito acima do peso mesmo estando na maioria das vezes bem abaixo do peso estimado para suas condições físicas. A história dizia respeito a uma jovem que estava preparando algo na cozinha, quando resolveu dar uma volta com seu cachorro. Ao voltar ela ouviu o alarme do detector de fumaça e decidiu interromper aquele forte ruído quebrando o aparelho com uma vassoura. Em pouco tempo havia muita fumaça e um incêndio destruiu a casa. Na sequência desta história o autor destaca que, na vida real, em geral, ninguém vai atacar o detector por ele estar sinalizando que algo está queimando. O Dr. Anderson sugere que um paciente com compulsão alimentar, por exemplo, que sente a necessidade premente de comer exageradamente, poderia entendê-la como um importante instrumento de sinalização. Ele pergunta o que fazemos quando o alarme do detector dispara e afirma que este serve para investigarmos o que está acontecendo e descobrirmos de onde vem a fumaça. "Quando apagamos o fogo, o alarme cessa. Não porque o detector foi quebrado, mas porque a fonte, responsável pelo sinal, foi removida." Ele conclui dizendo que, da mesma forma, uma compulsão pode ser resultado de fome e de hábito, mas que, na maioria das vezes, sinaliza que o "fogo" ou desconforto emocional está ardendo. Pondera que há um problema que está emitindo "fumaça", e ele pode ser: ansiedade, raiva, depressão, tédio, tristeza, solidão, etc.

Este tipo de analogia nos leva à reflexão de que muitos dos nossos quilos extras podem estar relacionados aos sinais de fumaça que o nosso organismo nos dá e muitas vezes apenas eliminamos os sintomas, atendendo aos impulsos imediatos ingerindo doces, chocolates em excesso que nos alivia as angústias, mas deixa suas marcas nas roupas que insistem em não servir mais no nosso corpo e na autoestima muitas vezes abalada por este ciclo que se instalou sem nos darmos conta.

O que fazer com os nossos "quilos emocionais"?

Especialistas sugerem que olhemos para eles de frente e digamos claramente que eles estão com os dias, ou os meses contados....

Depois que os descobrimos, não dá mais para caminharmos juntos. Eles carregam momentos pesados, com o perdão do trocadilho, experiências frustradas, muitas vezes, decepções, angústias, enfim, eles não nos pertencem. Nos despedirmos deles pode ser uma tarefa muito difícil, mas jamais impossível. Já nos despedimos de tanta coisa boa na nossa vida e sobrevivemos, não é mesmo?

Uma coisa que precisa ficar bem combinado entre você e seus "quilos emocionais" é que daqui para a frente, eles ficarão menores nas suas emoções. Eles serão substituídos por outros prazeres, como um cineminha com uma pessoa especial, uma atividade física seja ela qual for que te ajude a liberar a endorfina e com ela a sensação de felicidade, alimentos mais saudáveis e também bem saborosos, relaxamento e muita, mas muita força de vontade.

Uma dica para que você lute, encontre a motivação e persista no seu objetivo é se imaginar como gostaria de envelhecer. Que tipo de vida gostaria de ter aos 50, 60, 70, 80 e por que não dizer aos 90 anos? Sim porque a população está chegando lá graças aos grandes investimentos nas pesquisas na área da saúde.

O vídeo canadense abaixo, nos mostra dois tipos de envelhecimento, baseados nas escolhas feitas ao longo da vida.


E aí, preparado para se despedir dos indesejados e inconvenientes "quilos emocionais"?

O melhor caminho é começar hoje a mudança comportamental com foco na sua alimentação e atividade física. Você possivelmente já pode ter tentado iniciar uma dieta para perder peso e com o tempo acabou abandonando e recuperou tudo o que foi perdido, certo? Ou conhece alguém que passou por esse processo. A grande maioria das dietas restritivas acabam com um insucesso e são abandonadas ao longo do caminho provocando uma grande frustração. A internet está transbordando de "fórmulas milagrosas" para emagrecer, com dietas com nomes esquisitos: dieta paleo, low carb, jejum intermitente, dieta mediterrânea, dieta DASH, dieta Atkins, Dukan, South Beach, gluten free e por ai vai... O que todas têm em comum é a promessa de perda de peso rápido. Na sua maioria elas não estão mentindo, pois, qualquer dieta que restrinja grupos de alimentos, reduza calorias, vai provocar uma perda de peso. O que se discute e se alerta é que uma dieta que retira alimentos importantes da rotina do indivíduo, pode trazer sérios risco à saúde. O organismo acaba se adaptando àquela carência de nutrientes, e ao longo do tempo, os efeitos das restrições começam a surgir, podendo ser uma simples dor de cabeça até um mal funcionamento de um importante órgão no nosso corpo. Jamais uma dieta dessas acima citada pode ser seguida a médio ou longo prazo sem um acompanhamento de um nutricionista. Por mais tentadoras que possam ser as promessas, a precaução com a saúde deve prevalecer a qualquer método de emagrecimento milagroso. Os "quilos emocionais", os "quilos do sedentarismo", os "quilos de hábitos alimentares inadequados" ou tudo junto, não surgiram da noite para o dia, portanto eles precisam do tempo certo para serem eliminados e não recuperados em seguida. Para isso só mesmo uma mudança na sua relação com a comida e com seu estilo de vida para conseguir o resultado esperado.

Muitas empresas já perceberam que ao investir em programas que promovam uma alimentação saudável, conseguem um retorno do capital financeiro investido a médio prazo graças a uma considerável redução nos gastos com os planos de saúde, redução de absenteísmo dos colaboradores, melhora da produtividade e das condições de saúde de toda empresa. Um programa de reeducação alimentar deve fazer parte da vida de todos desde a infância com a família e nas escolas até a vida profissional. Mas isso nem sempre acontece e o que vemos é uma enxurrada de desinformações na internet, intoxicando as pessoas sedentas por uma informação sobre o que comer, que as salve dos índices de obesidade que só crescem no Brasil e no mundo.

Enfrentar frustrações, medos, sentimento de culpa ao olhar para dentro de si e interromper um ciclo instalado há meses ou anos irá exigir novas estratégias que não são, como o autor do livro citou, eliminar a fumaça, mas sim o fogo que causou o problema. Certamente você precisará fazer novas escolhas e adotar estratégias que o leve a interromper os impulsos compulsivos.

Eu te encorajo a começar com uma boa leitura. Experimente ler o livro "O poder do Hábito", porque fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, de Charles Duhigg. Ele poderá ser um bom companheiro neste novo capítulo da história da sua vida. O importante não são os números (quilos, calorias, etc), mas sim a consciência da necessidade de começar hoje o processo de mudança, o maior investimento em você mesmo.

Boa sorte!

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Sábado, 23 Outubro 2021