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A culpa é do Glúten. Será?

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Mais e mais produtos, com a observação na embalagem escrita em destaque, "sem glúten" ou "glúten-free", estão sendo lançados e lotando as prateleiras dos supermercados do mundo todo, inclusive aqui no Brasil. Essa é uma ótima notícia para as pessoas que têm doença celíaca (dificuldade do organismo em digerir o glúten), que por uma questão de saúde, não podem ingerir alimentos que contenham glúten. Mas, paradoxalmente, a maioria das pessoas que estão consumindo alimentos com essa especificação, não possuem doença celíaca e nem possuem uma maior sensibilidade ao glúten. Peter H. R. Green, médico pesquisador do Centro de Doenças Celíacas da Universidade de Columbia conclui: " o mercado para produtos sem glúten está explodindo e por que exatamente? Nós não sabemos a razão de muitas pessoas estarem seguindo dietas sem glúten pensando que são mais saudáveis."

E na verdade, elas não são. Para pessoas com alergia ao glúten ou que não conseguem digeri-lo, sim, essa dieta é essencial, mas para a outra grande parte da população, não. Pois além de não trazer o benefício esperado pela grande maioria das pessoas que a procura, que é emagrecer, pode trazer carências de vitaminas, minerais pela dificuldade de absorção destes nutrientes, além do baixo consumo de fibras, diz Dr Green.

A doença celíaca é uma condição causada por uma resposta imunológica anormal à absorção do glúten que vai causando uma destruição na parede do intestino, prejudicando a absorção de vários nutrientes. Os sintomas da doença celíaca são diarreia, anemia, dores no intestino e dermatites. Ou pode haver também pessoas sem alguns desses sintomas ou com sintomas muito leves, o que representa uma pequena parcela da população. A única maneira de saber se uma pessoa tem a doença celíaca, é através de exames de sangue e depois confirmado com biópsia do intestino. Para se chegar nos exames bioquímicos, o médico ou o nutricionista já avaliaram os sintomas através de uma grande pesquisa clínica. As pessoas que são apenas sensíveis ao glúten, seguirão uma alimentação equilibrada e não necessariamente uma dieta radical com perda de nutrientes e qualidade de vida.

O Glúten, é uma proteína encontrada no trigo e todos os alimentos feitos com farinha de trigo; pão, torrada, bolache, massas, bolos. Também a cevada, pizza, salgadinhos, gérmen de trigo, temperos industrializados, cerais, barrinhas de cereais, molho branco, sopas e temperos prontos.

Com essa lista acima, dos produtos que contém glúten, dá para se ter uma ideia no motivo que revolucionou a indústria alimentícia na produção dos seus produtos sem o "vilão" do momento; o glúten. Pois a grande justificativa do alto consumos destes produtos é para reduzir o peso. E é obvio que se qualquer pessoa acima do peso, deixar de consumir os produtos que contém glúten, irá emagrecer. Bingo!!!

O problema é que deixar de consumir o glúten, significa deixar de comer muitos alimentos importantes para o nosso organismo, o que poderá ocasionar graves carências nutricionais, como as vitaminas do complexo B que são essenciais para o crescimento muscular, para gestantes prevenir uma má formação nos bebes, além das fibras que essas sim contribuem para a sensação de saciedade e com isso a perda de peso, além de prevenir o câncer de intestino. É claro que esses nutrientes também podem ser ingeridos através de outros alimentos, mas é preciso uma boa avaliação nutricional e um planejamento alimentar bem equilibrado.

Se você pensa que a dieta sem glúten pode ser adequada a você, é melhor consultar um especialista antes, pois essa obsessão por estes alimentos só está fazendo bem mesmo para as indústrias alimentícias que "alimentam" essa ideia com um forte marketing por trás e com um público cada vez mais acima do peso, que busca soluções mágicas para resolver este problema.

Em uma viagem recente que fiz aos Estados Unidos, pude observar a quantidade de opções de produtos vendidos em supermercados, e mesmo nos pratos elaborados nos restaurantes, que não continham glúten. Programas de TV com venda pela internet ou com receitas sem glúten. E ao mesmo tempo o número de pessoas obesas ou acima do peso não pára de crescer naquele país. Isto é realmente um paradoxo. Vale uma reflexão. Será mesmo o glúten o responsável pelos seus problemas digestivos, pelo seu aumento de peso, pela sua falta de energia? Ou será a falta de informação adequada, a busca por resultados rápidos no peso adequado? Com o andar da carruagem, ele poderá ser sim um problema na sua vida, mas não de excesso de peso, mas sim o de aumento de gastos com as contas do supermercado.

Sobre a autora: Lia Mara Giro, é nutricionista com 30 anos de experiência em diversas áreas que englobam a promoção da saúde através da ciência da nutrição. especialista em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP, em Marketing Nutricional pela Universidade São Camilo, em Reeducação Nutricional pela Central Michigan University, especialista em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Metodista, Coach em Saúde e Bem-Estar pela Carevolution. Atua em consultório particular com foco em mudança comportamental na aquisição de novos hábitos alimentares e de saúde e produz conteúdo online sobre os aspectos que envolvem alimentação, saúde e qualidade de vida. Acredita que bons hábitos só é possível, se houver uma conscientização real da importância e dos benefícios para a saúde, para auto-estima e sucesso na vida como um todo. O bem estar é um processo interno que transparece naturalmente. A comunicação adequada solidifica esse processo e o torna vivo dentro de qualquer mudança comportamental. Na nutrição não é diferente. Por isso, acredita que manter a mensagem adequada e com qualidade, baseada em evidências cientificas, é o caminho para empresas , escolas e indivíduos de um modo geral. Por isso, criou a COMUNIKA NUTRI, uma empresa em comunicação em alimentação. 

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Sábado, 23 Outubro 2021